A Intocável Camisa 10: Por que a Seleção ainda deve favores a Neymar?
- Sergio Maurício

- 24 de fev.
- 3 min de leitura
No último Carnaval, em Salvador, o cantor Léo Santana protagonizou uma cena minimamente constrangedora: do alto do trio elétrico, pediu publicamente ao técnico Carlo Ancelotti a convocação de Neymar Jr. O episódio, que passou quase desapercebido pelos fãs do craque, levanta uma questão central para o ano de Copa do Mundo. Afinal, o que garante Neymar na Seleção Brasileira hoje?

Se olharmos para a história da "Amarelinha", a paciência e a reverência com o atual camisa 10 destoam completamente do tratamento dado a outras lendas. Neymar já teve oportunidades de sobra, caminhando para a sua quarta Copa do Mundo após participações em 2014, 2018 e 2022. No entanto, a balança entre o que lhe é oferecido e o que ele entrega parece cada vez mais desequilibrada.
O peso da história: Lendas que não tiveram o mesmo perdão
É impossível não comparar a condescendência atual com o rigor do passado. Romário, por exemplo, ficou de fora das Copas de 1998 e 2002. Mesmo sendo um artilheiro nato pelo Vasco da Gama e com plenas condições de jogar (especialmente em 2002), o "Baixinho" não teve a oportunidade que merecia frente a nomes como Luizão ou Anderson Polga.
A lista de injustiçados é extensa:
Ronaldinho Gaúcho: Ficou de fora em 2010 por conta da pirraça de Dunga, que preferiu levar um Júlio Baptista "engessado", e sequer retornou em 2014, mesmo brilhando pelo Atlético-MG.
Rivaldo e Zico: O primeiro jogou até quase os 42 anos e foi preterido nas sequências de sua carreira.
Roberto Dinamite chegou a amargar o banco para Serginho Chulapa.
Ronaldo Fenômeno: Apesar de ter jogado quatro Copas, enfrentou pedidos ferozes por sua exclusão em 2002 (pós-lesão) e em 2006 (por questões físicas), precisando provar seu valor a cada minuto.
Por que todos esses ídolos foram descartados para dar espaço aos mais novos ou qualificados, mas Neymar precisa ser o único eternamente perdoado?
A realidade física e o extracampo
Desde 2017, Neymar apresenta uma queda evidente. Sua única grande memória de título com a Seleção Principal ainda é a longínqua Copa das Confederações de 2013. Hoje, treze anos depois, o que vemos é uma coleção de lesões, falta de cuidado físico e um extracampo que não agrega.
Ficou evidente em lances contra o Novorizontino como a dificuldade ao dar um pique para recuperar uma bola na lateral que ele está fisicamente distante do ideal para jogar na Série A, quem dirá em uma Copa do Mundo. As respostas infantis nas redes sociais aos críticos apenas reforçam a falta de maturidade.
Podemos questionar o rendimento de Vini Jr. ou Raphinha com a camisa do Brasil, mas ambos jogam em alto nível físico na Europa, o verdadeiro nível de Copa do Mundo.
O impacto final: Neymar no Santos x Lendas no Brasil
Para fechar a conta, o impacto atual de Neymar no Santos é muito menor do que o fim de carreira de outros gigantes:
Romário foi mais importante para o Vasco.
Ronaldinho Gaúcho foi mais importante para o Atlético-MG.
Adriano Imperador foi mais importante para São Paulo e Flamengo.
Ronaldo foi mais importante para o Corinthians.
Neymar mereceria sentar-se em uma mesa com "40 especialistas" e responder: por que ele merece ser convocado? Até o momento, o futebol apresentado dentro de campo não oferece uma resposta convincente. O Brasil precisa de profissionalismo e comprometimento, características que, hoje, passam longe do nosso antigo camisa 10.




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