Goleada por 3 a 0, mas com clima de marcha fúnebre
- Sergio Maurício

- 23 de fev.
- 3 min de leitura
O placar diz que o Flamengo venceu o Madureira por 3 a 0 e carimbou sua passagem para a final do Campeonato Carioca. No entanto, para quem acompanhou os 90 minutos, o sentimento foi de total desesperança. A vitória aconteceu em um clima pesado, semelhante a uma marcha fúnebre.
A equipe rubro-negra "passou o carro" em um adversário extremamente frágil, atuando em um ritmo letárgico de férias. O sintoma mais claro da crise silenciosa foi a reação do time: nenhum dos três gols marcados foi comemorado pelos jogadores em campo.

Omissão e um ambiente quebrado
Fora das quatro linhas, a situação conseguiu ser ainda mais tenebrosa. Filipe Luís, em meio a falas emboladas sobre um caso de racismo, omitiu-se e evitou se complicar, escancarando um clima conturbado.
Fica evidente que algo se quebrou internamente. Entre os jogos contra o Botafogo, o desastre diante do Lanús e a partida de hoje, há um recorte de sete ou oito dias em que o ambiente rubro-negro desandou. Se essa rota não for corrigida urgentemente, o Flamengo entrará na péssima rotina do futebol brasileiro: demissões, trabalhos interrompidos e um ano completamente perdido para um time que foi montado para dominar o país.
Arrascaeta salva; Pedro e Lino preocupam
Dentro de campo, o primeiro tempo beirou o ridículo pela apatia. A situação só mudou na segunda etapa graças a Arrascaeta. O uruguaio entrou com vontade, mudou o rumo do jogo e foi coroado com seu gol de número 100 pelo clube.
Por outro lado, o drama de Pedro só aumenta. O centroavante vive uma fase assustadora, parecendo ter esquecido o que é ser um jogador de futebol. Em um jogo com espaços e sem pressão, ele não conseguia sequer ganhar uma dividida de corpo com os defensores do Madureira.
Samuel Lino é outra interrogação gigante. O atacante colecionou desperdícios e levantou ainda mais dúvidas se possui o nível técnico necessário para vestir essa camisa ou se foi apenas uma contratação precipitada. O fundo do poço rubro-negro não foi a derrota na Argentina, mas sim a apatia dessa vitória no Carioca.
📝 Notas da Partida
Andrew (6,5): Pouquíssimo acionado e não comprometeu.
Emerson Royal (7,0): Ficou à vontade em campo devido à fragilidade do jogo.
Danilo (6,5): Entregou fisicamente, mas produziu pouco.
Vitão (7,0): Seguro defensivamente e não sofreu ameaças.
Ayrton Lucas (7,0): Demonstrou evolução na partida.
De La Cruz (7,5): Fez gol e foi um dos mais interessados em campo.
Everton Araújo (6,5): Fez o simples, mas saiu com cartão amarelo.
Plata (6,0): Criou pouco e não conseguiu abrir espaços.
Carrascal (5,5): Um de seus piores desempenhos na temporada.
Everton Cebolinha (6,5): Foi bem enquanto esteve em campo.
Pedro (5,0): Tenebroso. Não se impôs fisicamente nem tecnicamente.
Samuel Lino (6,0): Desperdiçou chances, mas tentou ajudar.
Arrascaeta (7,5): Mudou a partida e marcou seu 100º gol.
Lucas Paquetá (6,5): Fez o protocolar, parecendo mais à vontade.
Luiz Araújo (7,0): Entrou bem, mas logo viu que o jogo não exigia seu máximo.
Filipe Luís (6,5): Pouco exigido taticamente na partida de hoje.
📅 O que vem por aí
O clima precisa mudar rapidamente, pois o próximo desafio vale taça. O Flamengo decide o título da Recopa Sul-Americana no jogo de volta contra o Lanús, partida que muito provavelmente definirá a paz ou o caos definitivo no ambiente do clube.




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